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Alguém poderia acreditar numa relação de amor entre inimigos naturais? Pela lógica seria como ver uma serpente amando uma águia, enquanto esta a carrega para alimentar seus filhotes ― Impossível seria o amor entre eles.


Imagine então o amor entre dois predadores diferentes de qualquer outro que você pudesse imaginar dois predadores inimigos um do outro. Esse amor existiu, quer dizer, existe! E eu faço parte dele.

Você pode estar se perguntando do que estou falando ― muito justo ― Estou falando do amor entre duas criaturas cuja única finalidade entre elas é se destruírem. É meio complicado de explicar, mas tentarei fazê-lo sem rodeios. Estou falando de duas criaturas que a humanidade a muito se esqueceu incorporando-as em seu folclore com meros mitos.

Eu falo entre o amor entre uma vampira e um lobisomem. Mas calma. Esse amor não surgiu de uma maneira tão comum, ele surgiu de uma relação ao acaso em que Breanna ― sim, esse é o meu nome ― se apaixonou perdidamente por um lobisomem. Agora que falo de mim, posso me encaminhar para a primeira pessoa, essa é a minha perspectiva e assim o farei. Era o ano de 2009.

Desci correndo do carro. Eu não aguentava mais ficar sentada dentro do carro. Que bom que ja chegamos, minha mãe diz que a gente veio de carro pra economizar grana, e eu disse que iriamos economizar mais viajando de avião. Mas ela e água mole em pedra dura. Queria continuar vivendo em New York mais minha avó esta doente então tivemos que nos mudar pra Crescent, Oregon. Uma cidade que não se encontra muito facil nos mapas.

A casa era pequenininha, parece que saiu de um conto de fadas. Tão pequenininha num meio de um bosque assombrosamente minusculo.

- Breanna, seu quarto e lá em cima!

Tomara que no meu quarto não tenha ninguem que me faça perguntar, Porque você tem olhos tão grandes... E essa boca tão grande... Além de não ter uma cesta de doces eu sempre detestei lobos. Eu abri a porta que estava trancada e irrompi para dentro. Parei em frente à porta aberta e me assustei com um ruído estridente da mala batendo no chão do Hall. E o pior sentimento que eu tive em toda minha vida, veio para mim. Eu nunca tinha me sentido tão absolutamente e completamente perdida.

Casa. Eu estou em casa. Por que isso soa como uma mentira? Eu vinha pra cá todo feriado visitar minha avó, mas mesmo assim eu não me sentia em casa. Esta é a minha cama, minha cadeira, meu armário. Bem, mas agora tudo parece estranho para mim. Como se eu não pertencesse a este lugar. Esta sou eu fora desse lugar. E a pior coisa é que sinto que este é o lugar que eu devo pertencer, mas eu não posso encontrá-lo. Um vento gelado espalhou o meu cabelo, olhei para o lado e vi uma janela velha aberta. Corri pra fecha-la. O que de mais bonita tenha esta cidade, ela também tem de fria.

Depois eu desci, e perguntei pra minha mãe se eu podia dar uma volta pra conhecer a cidade.

Era como antes, poucas coisas tinham mudado, como uma loja de livros e uma de roupas. Uma nova pista e mais nada. Eu baixei a cabeça e andei pra frente olhando para o chão, vi uma poça d’água, o que quer dizer que está na época de chuva. De repente eu esbarro num cara e caio em cima dele.

- Ou, você não olha por onde anda?

- Desculpa, mais era você que estava andando de cabeça baixa não eu – ele respondeu rapidamente.

- Ai, me desculpa, e que eu...

- Não tudo bem – ele falou recuando novamente com seus olhos verdes estreitados como os de um gato. – só não anda olhando pro chão! – ele despareceu!



No dia seguinte eu iria pra escola, minha mãe me levou agasalhada pra lá. Estava muito frio. No instante que pisei no estacionamento da escola eu fiquei cercada. Todos estavam lá, a multidão toda que eu não via desde não sei quando, além de quatro ou cinco parasitas que esperavam ganhar popularidade por associação. De repente uma garota com cabelo todo cacheado, e sardas por toda a maçã do rosto pulou na minha frente.

- Oi, meu nome é Morgan Benson! – ela estendeu a mão

- Oi, meu nome é...

- Breanna Bennett – ela sorriu – desculpa, e que eu to empolgada em conhecer gente nova esse ano, também vim de New York, Meu pai mora aqui!

- Tudo bem!

- Porque você se mudou pra cá?

- Minha avó anda doente ultimamente, e então minha mãe me arrastou pra cá, e você?

- Meus pais se separaram, e meu pai ganhou a minha guarda!

Eu virei o rosto e vi uma garota andando pra dentro do colégio. Era uma loira de cabelo liso, só vestia rosa, parecia que estava desfilando e não andando. Todos olhavam pra ela.

- Quem é ela?

- Não sei!

- Fred Carter – Sara gritou – quem é ela? – ele se virou e veio pra cá.

- Aquela é Elena! – ele sorriu – a garota mais linda e patricinha da cidade!

- Ahh... Sim! – Sara disse parecendo se lembrar de algo – quando fui falar com ela, simplesmente ela me deu um fora!

- E quem é aquele? – disse apontando pra um garoto que havia trancado seu carro e estava andando em direção à escola.

- Aquele é Natanael, ele é o cara mais desejado do colégio – ele rosnou - além de ser um índio!

Eu o segui, as outras garotas logo atrás dela em um grupo intimamente ligado. Por um instante, o aborrecimento borbulhou dentro de mim. E franzi por causa disso enquanto eu e Sara entravamos no prédio. Um longo corredor se esticava em frente á nós, e a figura em calça jeans e jaqueta de couro estava desaparecendo pela porta do escritório em frente. Eu diminui o ritmo á medida que passava pelo escritório, finalmente parando para olhar ponderadamente para as mensagens no quadro de avisos de cortiça perto da porta. Havia uma ampla janela aqui, através da qual o escritório inteiro ficava visível.

As outras garotas estavam espiando abertamente através da janela, e dando risadinhas. Ele se virou e veio para o corredor e eu comecei a olhar para o quadro de avisos pra ele não perceber que eu estava olhando pra ele. Desejei tanto ver mais alguma coisa do que apenas ver as costas dele. Então ele olhou pra mim, que desgraça. Era o mesmo garoto que no dia anterior eu cairá em cima dele. O escuro cabelo espetado enquadrava traços de rosto tão belos. Maças do rosto altas, clássico nariz reto... e uma boca para me manter acordada à noite. O lábio superior foi belamente esculpido, um pouco delicado, bastante sensual. A tagarelice das garotas no corredor havia parado como se alguém tivesse mexido no interruptor.

A maioria delas estava se virando para longe do garoto agora, olhando para qualquer lugar menos para ele.

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